Esperançar

Vamos nos aproximando do final do ano e começamos a avaliar o ano que passou, como agimos, o que conquistamos, o que perdemos, o que alcançamos. Tenho certeza que na virada do ano, ninguém imaginava que iríamos passar pelo que passamos. Que estava por vir algo tão incontrolável, tão fora dos nossos planos. 

Neste ano vivemos momentos de dificuldades, sejam elas financeiras, emocionais, pessoais ou relacionais. Perdemos pessoas cedo demais, vimos próximos adoecerem, tivemos momentos de angústia, de desespero. Não podemos passar por este ano sem mencionar tudo isso, pensar que não levaremos como marca da nossa história. Talvez você olhe para si e não sinta aquele orgulho tão idealizado, de uma pessoa que conseguiu fazer do isolamento um tempo de aprender coisas novas, de produzir. E aqui vai um grande ensinamento do SEMEAR: está tudo bem. Somos pessoas diferentes, que vivem e lidam com as situações de formas diferentes. 

Todos estamos vivendo neste mundo de pandemia, mas isso não significa que estamos vivendo da mesma forma. Não, cada pessoa, em sua singularidade, viveu e está vivendo suas lutas, muitas delas no seu íntimo, de forma que ninguém sabe, e que nem imaginam. Provavelmente enquanto você estava lendo veio em sua mente quais foram ou quais são seus desafios, suas lutas. Não somos perfeitos, não somos super-heróis, somos seres humanos, frágeis, falhos, complexos. 

Existe algo que não podemos mudar, que é estarmos passando por tudo isso. Fazemos parte desse fato histórico, desse momento que ninguém escolheu passar, ele apenas veio e tivemos que lidar com ele.

O que fica para nós é a decisão do que iremos fazer a partir dessa realidade. Olhe para este ano que está terminando e pense o que está levando dele, veja com um olhar um pouco mais abrangente e perceba o que teve de bom, o que você ainda pode agradecer, quais ensinamentos você leva, quais pessoas se mostraram tão fundamentais. Talvez você se deu conta que algumas coisas não são tão importantes como achava e que outras são muito mais valiosas. 

Nós do SEMEAR falamos muito sobre a esperança, e este foi um ano de não só falar sobre isso, mas de colocar em prática. Às vezes parece que é tão mais fácil deixar os conceitos, os ideais apenas no campo oral, sem trazê-los para a ação. E aí está um perigoso caminho da hipocrisia. Pois, como diz o ditado popular: fácil é falar, difícil é agir. Mas, pense conosco, seria possível viver este ano sem a esperança? Talvez você não tenha se dado conta, mas ela esteve ali. Mesmo nos dias em que nos sentimos tristes, cabisbaixos. Existe dentro de cada um de nós uma força que luta pela vida, pela esperança, pelo não desistir.  

Não sabemos como você está hoje, não sabemos como foi o seu ano, apesar de imaginarmos que não foi fácil. Escrevemos este texto, porque percebemos que mesmo em meio a tantas dificuldades, a esperança sempre esteve lá. Que hoje, nesta leitura, você se perceba como alguém que é esperançoso. Lembre-se que você não precisa passar por tudo sozinho, há pessoas disponíveis para você, há pessoas que amam ouvir, que estão dispostas a estender a mão. Nós do SEMEAR somos algumas dessas pessoas, temos uma rede de voluntários disponíveis para ouvir, para conversar, para esperançar.

Assim como nós, você também pode ser na vida do próximo alguém disponível. Se permita ser e verá que sua vida nunca mais será a mesma, porque aprendemos e somos transformados no compartilhar. 

E que mesmo com as incertezas do próximo ano, sua esperança se renove todos os dias. E quando o fardo estiver muito pesado, lembre-se que existem pessoas que podem te ajudar, que podem te auxiliar a reviver sua esperança. 

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Codependência: do adoecimento ao amor próprio

O Projeto FAZDI trabalha há 20 anos com a dependência química. E nesse trabalho, tivemos muitas experiências, muitas exitosas e outras nem tanto. Mas algo que aprendemos com certeza em todos esses anos, é que a família é indissociável do tratamento e possui uma função protetiva singular.

Partimos do princípio, que não se deve haver apenas um acolhimento individual e unilateral, ou seja, olhar apenas para o sujeito e sua doença, mas consideramos toda a sua trajetória, como seu histórico familiar, social, psicológico, ambiental etc. Olhamos esse indivíduo como um todo e a família tem uma participação fundamental.

Seguramente, podemos afirmar que um acolhimento, sob a ótica da dependência química, tem melhores resultados, quando se tem uma família consciente, participativa e curiosa.

Mas como trabalhar ou contar com uma família que está adoecida? Ou que não tem consciência de seu adoecimento? Ou que não aceita seu adoecimento?

Em anos de acompanhamento, vimos mães, esposas, namoradas, filhos etc, sofrerem por amar demais e por não saberem como lidar com seus dependentes químicos. Vimos mães superprotetoras, carregadas de um profundo sofrimento, encarceradas pelo peso da culpa pela não cura de seus filhos. Vimos esposas dilaceradas por mais uma recaída, pela perda material, pelo regresso afetivo. Vimos filhos somando em seu interior o peso do abandono. Vimos namoradas, que não precisavam ficar, mas continuavam se apegando há um fio de esperança.

Nesses anos, também encontramos pessoas fortes, com uma garra sobrenatural, cheias de medo e traumas. Famílias que se apegam a detalhes. Que se alimentam de um amor, até por vezes inexplicável. Mesmo cansadas de caminhar, cansadas de lutar, estão lá, permanecem por amor, permanecem por dor, permanecem por culpa, permanecem por sua própria doença.

Apesar de toda sua garra e determinação, um grande impeditivo no processo de acolhimento e sobriedade, é a codependência. Percebemos o quanto uma família doente, adoece ainda mais o dependente químico em tratamento.

O pós-tratamento é tão ou mais importante que o tratamento e é onde a não informação, a não decisão de se autocuidar toma conta e favorece recaídas.

Não queremos dizer que a família é a única responsável pelo processo de abstinência do pós-tratamento, até porque ele é um processo mútuo de entrega, envolve um bom acompanhamento, a família e o dependente químico. Afirmamos que uma família sadia emocionalmente, que tem conhecimento de sua função protetiva, que detém de estratégias, é mais assertiva no processo de sobriedade.

Claro, que a codependência precisa ser olhada com empatia e acolhimento, pois assim como a dependência química, o codependente também está adoecido.

Digamos que um se alimenta do outro. É uma troca inconsciente de favores. Enquanto, o dependente químico precisa do codependente para saciar seu vício; o codependente precisa do dependente químico para saciar sua falta de amor próprio, saciar suas faltas emocionais, suprir seu desejo de controle sobre o outro, atender ao seu impulso messiânico, entre outros.

Vemos que o codependente quando não trata sua doença, inconscientemente, cria situações que favorecem a recaída, pois essa é a forma que sabe viver – dependendo emocionalmente de outro, e esse outro também vive adoecidamente.

A codependência é uma doença emocional e comportamental que também desencadeia outras comorbidades, como: diabetes, pressão alta, depressão entre outras, então se cuidar é o primeiro passo.

Quando o codependente aceita sua posição diante da dependência química, ou seja, como um codependente, o processo saúde-doença tem mais êxito, de ambos os lados.

No Projeto FAZDI ofertamos aos familiares um grupo de mútua-ajuda, que se chama Celebrando a Transformação. Há quem pense, que a transformação celebrada é dos dependentes químicos que estão firmes em seu propósito de sobriedade, quando a celebração é para o codependente que aceita sua condição e decide mudar, não pelo outro, mas por si.

Há familiares que dizem: – Porque preciso de um grupo de mútua-ajuda?  Eu não usei drogas, foi meu familiar!

Mas quando iniciam o acompanhamento, relatam o quanto o compartilhar, o transbordar as emoções, quando veem que não são os únicos nessa busca desesperadora, se inicia o processo de superação.

Esse processo exige muito do codependente. É demorado, é dolorido, desesperador e angustiante. Aceitar que ele também é o problema, é o ápice da confrontação humana.

Como alguém que ama, pode ser também o problema? Quando há partilha, quando há questionamentos, quando há confrontos, quando há o reconhecimento de seus próprios sentimentos, de sua história, de seu protagonismo, vemos que começa a desvinculação com o adoecimento.

O importante é não continuar sozinho, não buscar sozinho, não sofrer sozinho. Quando há essa compreensão, há superação, há cura interna, há busca pelo amor próprio, há vida.

Busque um acompanhamento: em grupos de apoio, apoio médico e psicológico. Não é constrangedor pedir ajuda. Nem sempre estaremos bem. Mas sempre temos o outro.

Rosemari Helvig, Assistente Social

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O que é o Programa Semear?

Fundado em 2006, o Programa SEMEAR foi criado como parte das ações do Projeto FAZDI. Inicialmente trabalhávamos somente com a prevenção ao uso de drogas por meio de palestras em escolas e instituições.

Todas as ações do Projeto FAZDI têm como base o estudo e a avaliação. E assim foi com o SEMEAR, a equipe se debruçou aos estudos e na avaliação dos resultados que estavam sendo apresentados. Como já mencionado em outros textos, tão importante quanto a prática é a teoria. E a teoria nos mostrou que existe uma linha tênue entre prevenção e promoção.

A prevenção feita de modo indevido pode resultar em seu público-alvo um efeito reverso, acabando por estimular o uso, a curiosidade, se tornando uma promoção do tema. Além de compreendermos que o uso de drogas é o resultado de algo muito mais profundo e complexo, como se estivéssemos olhando um iceberg e as drogas fossem a ponta dele e o que está imerso é tudo aquilo que está por trás dessa doença, são as causas.

Assim, o Programa passou por uma inovação, e uma nova forma de trabalho foi desenvolvida. Não focamos mais nessa ponta do iceberg, mas sim, no que está submerso.

Compreendemos que cada pessoa é integral, é um ser Biopsicossocial, Ambiental e Espiritual (Naomi Brill, 1985). Sabemos que quando estamos diante de alguém estamos nos relacionando com o todo, ninguém é parte de algo, é só social ou só emocional, somos por inteiro, somos seres incrivelmente complexos.

Por isso, o Programa SEMEAR desenvolve suas ações de forma contínua e planejada. O público-alvo participa de  diversos encontros onde  é o sujeito ativo, ou seja, é valorizado, é estimulado, é parte de todo o trabalho.

Não nos configuramos mais como palestra, porque aprende e se transforma quem se envolve, quem vê significado no que está sendo proposto, quem vê sentido no que está sendo feito, quem se sente desafiado e estimulado.

Nossos temas abordam todos os aspectos constituintes do ser humano, buscamos fortalecer e valorizar cada sujeito.

Hoje, entendemos que nossos objetivos são alcançados por meio da escuta, do desenvolvimento de habilidades socioemocionais e do pensamento crítico.

Prevenimos e valorizamos a vida!

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Campanha O Amor Contagia

Se neste ano tivemos muitas incertezas, uma certeza que vivenciamos, foi a solidariedade. A Campanha O Amor Contagia promovido pela FUNPAR, foi a certeza de que juntos somos mais fortes. Nela se engajaram várias empresas para distribuir o bem a quem mais necessita. E o Projeto FAZDI foi uma das instituições beneficiadas. Foram tantas doações que não cabem no tamanho da nossa gratidão. Nossos acolhidos agradecem. As famílias agradecem. Nós agradecemos. O serviço executado foi mantido mesmo em meio a uma pandemia, de forma humanizada e com a qualidade que nossos usuários merecem. Isso, graças a parceiros como vocês.

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A importância de se desenvolver

As ações desenvolvidas pelo Projeto FAZDI estão em constante mudança. Tão importante quanto a prática, é a teoria. Ao decorrer dos anos de atuação, compreendemos que a reflexão da nossa prática diária é fundamental. Uma reflexão pautada no conhecimento científico.

Hoje, quando olhamos para trás, vemos o quanto progredimos, o quanto a experiência foi agregando às nossas mudanças. Um grande aprendizado que tivemos, foi a definição dos nossos objetivos como OSC. Ofertamos tantas ações e programas, mas todos têm um grande princípio em comum: desenvolver.

O que isso significa? Temos como objetivo ofertar ao nosso público ferramentas para que possam se desenvolver como pessoa, diante de suas necessidades e situações.

Esta forma de trabalhar tem a ver com os ensinamentos que tivemos em nossa história. Temos como desejo que cada pessoa que passa por nós se desenvolva e, com autonomia, siga sua vida, se torne independente. Isso significa que o Projeto FAZDI é um momento na vida daquela pessoa, um momento em que ela se percebeu, se desenvolveu e já pode caminhar com suas próprias pernas.          

Há um grande perigo em não trabalharmos assim, pois ao contrário do desenvolvimento e da autonomia, é a dependência. O indivíduo necessitará sempre da orientação, da aprovação e, muitas vezes, que o outro escolha por ele.

O grande desafio e o nosso objetivo é exatamente o oposto, queremos que cada pessoa que passa pelo Projeto FAZDI saia mais confiante, com mais autoconhecimento, dotada de ferramentas que são necessárias para a sua singularidade de vida.

Que ela possa seguir o seu caminho, continuar se desenvolvendo, porque é um processo contínuo. Sempre estaremos aprendendo, repensando, reavaliando… mudando!

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20 ANOS DE PROJETO FAZDI

No dia 20 de junho de 2020 o Projeto Fazendo Diferença – FAZDI comemorou seus 20 anos de história. Como estamos vivendo mundialmente uma pandemia, não foi possível comemorar presencialmente com todos que fazem parte da nossa história. Mas, com muito carinho, organizamos um evento on-line, com todos os devidos cuidados orientados pelo Ministério da Saúde.

Os fundadores foram entrevistados e puderam compartilhar dessa linda história.Tivemos muitos telespectadores, agradecemos todos que partilharam desse momento tão significativo conosco!

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IGREJA PENTECOSTAL MARAVILHA DE JESUS

Projeto FAZDI recebe doação 100kg de arroz

Dos irmãos Alexandre Gonçalves e Ailton Domingues da Igreja Pentecostal Maravilha de Jesus.

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SOCIEDADE BÍBLICA

Em tempos de Pandemia, a rede de proteção faz toda a diferença. A Sociedade Bíblica do Brasil – SBB, Sede Curitiba, representada pelo Secretário Regional, Vinícius Lacerda, os Assistentes Sociais, Renan Ricardo e Adriana Assis, Érica Nickel, secretária executiva da ALBEM – Associação Lutando pelo Bem, e Pr. Jonas Lindner da Igreja Luterana do Brasil do Hauer, contribuíram no fortalecimento de nossas ações, por meio da doação de cestas básicas e materiais reflexivos da Instituição.

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COMBATE AO TABAGISMO

Desde 1987 a OMS vem comemorando o Dia Mundial Sem Tabaco, alertando a população sobre as doenças e mortes evitáveis relacionadas ao tabagismo. O tabagismo é uma dependência psicológica e física do tabaco, responsável por mais de 50 doenças, as principais são no trato respiratório, cardiovasculares, hipertensão, aneurismas cerebrais e aórticos e derrames cerebrais. Há também, entre as doenças, pelo menos 12 tipos de câncer: de pulmão, boca, laringe, faringe, estômago, esôfago, pâncreas, rim, fígado, colo de útero, bexiga e alguns tipos de leucemia.

O Projeto Fazendo Diferença – FAZDI, em virtude disso e com a intenção de somar na prevenção e no combate ao tabagismo no Brasil, organizou no mês de maio do presente ano, palestras que visaram o perigo do uso do tabaco e ao mesmo tempo as diversas formas de preveni-lo.

O dia 31 de maio comemoramos o dia Mundial Sem Tabaco, mas no mês inteiro celebramos os seguintes temas: “Saúde e Cigarro, uma relação possível?” “Estratégias de prevenção ao uso do Tabaco.” “Cigarro, uma substância lícita: Como viver em sobriedade?” “O Tabagismo na Contemporaneidade”. Como encerramento, fizemos uma peça de teatro que fortaleceu a compreensão dos temas entre os acolhidos, e os mesmos no final se organizaram em grupos pequenos para realizar propagandas que ajudariam no combate ao uso do tabaco.

Por Héctor Jesús

Projeto FAZDI recebe doação de caixas de chocolates para Páscoa

Projeto FAZDI recebe doação de caixas de chocolates para Páscoa

O sr. Jonathan Yared e sua equipe, em nome do gabinete da deputada Christiane Yared, arrecadaram caixas de chocolate e de forma especial escolheram o Projeto Fazendo Diferença- FAZDI para fazer uma visita e doação. Neste período que estamos vivendo gestos como este nos alegram e nos fortalecem. O Projeto FAZDI agradece a visita e essa doce doação.

Contato

Fone: (41) 3344-6626 / 3082-6686 

E-mail:contato@projetofazendodiferenca.org

Rua Itaúna do Sul, 11 | Alto Boqueirão | Curitiba | Paraná

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